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Macacos são um alerta para a febre amarela

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Matá-los não é a solução

 

 

Entenda a relação dos macacos com a doença e o que fazer se encontrar algum na sua região.

 

Escrito por Amanda Cruz

Entre tantas informações que surgem diariamente sobre a febre amarela, somado ao medo e a insegurança da população, é quase inevitável que muitos boatos ganhem destaque. Um deles, que estava circulando pelas redes sociais, é o de que algumas pessoas estavam tentando matar os macacos que viviam nas áreas com maior incidência da doença.

Não existem dados oficiais sobre esses atos, mas acreditamos que a informação é a melhor forma de esclarecer esses mitos e evitar que eles continuem se propagando. Entenda abaixo a relação entre a febre amarela, os macacos e o surto da doença que preocupa o país.

Macacos não são transmissores

Você sabia que os macacos são vítimas, assim como nós, da febre amarela? “Os macacos adoecem por febre amarela tanto quanto o ser humano, são mais suscetíveis, mas não são vetores da doença”, explica a infectologista Carolina Lázari, do Fleury Medicina e Saúde. Ou seja, eles não transmitem febre amarela.

O processo de contágio é muito mais complexo do que o simples contato com o animal, algo que não faz com que se contraia a doença. “É preciso haver o mosquito, uma população suscetível, um sistema ecológico completo que gera o ciclo do vírus. O macaco não pode ser responsabilizado, porque nesse sentido o papel dele é como o do ser humano”, completa a especialista.

Entenda como é feita a transmissão da febre amarela

Os macacos atuam como reservatórios do vírus da febre amarela, o que significa que eles já têm o vírus em seu organismo normalmente. Nesse contexto entram os mosquitos Haemagogus e Sabethe, comuns em áreas silvestres, e que são contaminados ao picarem os macacos. Esses mosquitos passam a ser vetores da febre amarela silvestre, transmitindo a doença para humanos ao picá-los.

Existe também a febre amarela urbana, transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, mais comum nas grandes cidades e áreas metropolitanas. Tanto a febre amarela urbana, quanto a silvestre, contém o mesmo vírus, o que muda é o agente transmissor, no caso, a espécie do mosquito. A febre amarela silvestre é considerada endêmica, ou seja, recorrente na região norte do Brasil e de maior incidência em zonas rurais. Já a febre amarela urbana não é registrada no Brasil desde 1942.

Mas se o macaco já tem o vírus e vive bem, porque tantos estão morrendo? “Um mosquito já contaminado pode picar um macaco e aumentar a carga viral desse primata. Esse tipo situação contribui para que aumente o número de óbitos de macacos por febre amarela, fazendo que com consequentemente os mosquitos que picarem esses macacos também tenham uma carga viral maior e também contaminem os humanos com mais vírus”, explica a epidemiologista Helena Brígido, especialista em arboviroses da Sociedade Brasileira de Infectologia.

 

Macacos ajudam a mapear a doença

Além dos macacos não terem culpa sobre a situação da febre amarela, eles ainda são grandes aliados dos agentes públicos que acompanham o ciclo da doença e alertam as autoridades públicas para uma possível disseminação da doença. “O macaco, como é mais sensível que o ser humano, acaba morrendo pela doença e, por isso, conseguimos antecipar o momento de circulação do vírus quando percebemos a mortandade de macacos. Eles nos alertam que a quantidade de vírus está alta, funcionam como sentinelas”, explica a infectologista Carolina.

“Durante todo o ano e em períodos entre surtos, a vigilância toma conta dos macacos, porque se aparecem espécies suscetíveis mortas, eles são recolhidos para análise. Além disso, de tempos em tempos macacos saudáveis são capturados para observar a circulação e a carga do vírus em áreas silvestres”, completa Carolina.

O Sistema Ambiental Paulista, responsável pela gestão ambiental no território do estado de São Paulo, destaca que agredir ou matar macacos é crime ambiental (Lei Federal nº 9.605/1998, artigo 29) e prejudica o trabalho de prevenção dos surtos de febre amarela.

Se encontrar um macaco doente ou morto, não mexa e não transporte o animal, porque há risco de contaminação por outras doenças (não pelo vírus da febre amarela); entre em contato imediatamente com a Vigilância Epidemiológica Municipal (consulte o site da Prefeitura do seu município) ou o Grupo de Vigilância Epidemiológica (GVE). Caso você encontre um macaco vivo e sadio, não capture e não transporte o animal, não o alimente, não maltrate e não mate.

 

Melhores formas de prevenção

A imunização da população em áreas de risco é a melhor forma de evitar a doença. “É preciso ficar de olho nas campanhas de vacinação, se vacinar, sem pânico e respeitando os momentos de convocação pelas agências de saúde e seguir as orientações públicas. Fique atento às áreas interditadas, às recomendações e também às contraindicações da vacina”, ressalta Carolina. Alguns grupos não podem tomar a vacina da febre amarela e essa recomendação é muito importante ser seguida. “Busque orientação e, se souber que não pode ser vacinado, se proteja de outras formas, use repelentes e fique longe de áreas perigosas”, finaliza.

 Fonte: http://www.minhavida.com.br
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